Empreendedorismo

A logística tem acompanhado a evolução do e-commerce no Brasil?

Leandro Mantelli
Escrito por Leandro Mantelli
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Impulsionado pela pandemia COVID-19 o e-commerce teve um salto gigantesco nas transações comerciais nos últimos meses.

Mas, a logística está conseguindo acompanhar essa evolução?

Empresas e prestadores de serviços de todos os segmentos tiveram que se adaptar à nova realidade e se encaixar no e-commerce para garantir a sustentabilidade dos seus negócios.

logística

O e-commerce brasileiro em abril de 2020 teve um crescimento 81% se comparado com o mesmo período de 2019, é possível calcular que os gastos com transporte também aumentaram a partir da maior adoção dessa modalidade de vendas.

Estamos falando em R$ 9,4 bilhões, segundo estudos da Compre&Confie. As categorias que tiveram o maior crescimento em volume de compras foram:

  • Alimentos e Bebidas (aumento de 294,8% em relação a abril de 2019);
  • Instrumentos Musicais (+252,4%);
  • Brinquedos (+241,6%);
  • Eletrônicos (+169,5%) e Cama;
  • Mesa e Banho (+165,9%).

Empresas que já estavam inseridas no e-commerce antes da pandemia e já tinham toda estrutura montada foram surpreendidas com um enorme volume de vendas que apareceram do dia para noite.

A logística conseguiu acompanhar essa evolução?

Com clientes cada vez mais exigentes e prazos de entrega cada vez mais curtos, as empresa de logística do Brasil estão buscando se modernizarem cada vez mais rápido.

A logística tradicional já não atende mais esse consumidor exigente e quem não se atualiza está ficando fora do mercado.

Estamos vendo surgimento de diversas plataformas de frete online nos últimos tempos na busca de atender esse mercado em pleno crescimento.

Startups de tecnologia de frete como Intelipost, Total Express, Melhor Envio e Mandaê estão em ascensão no Brasil, integrando diversas transportadoras aos empresários do e-commerce sem a necessidade de negociarem diversos contratos de frete.

Essas plataformas têm a função de integrar lojas online aos Correios e a transportadoras privadas, realizando o processo de cotar, gerar e rastrear fretes.

Essa integração permite que os empresários do e-commerce cotem simultaneamente com diversas empresas de transporte, compare opções de frete e escolha o valor mais competitivo sem a necessidade de contratos individuais com cada transportadora.

E por falar em Correios, a empresa entrou em greve pela décima vez em 09 anos. Parece que nos últimos anos uma certeza que temos é de que os Correios estarão em greve em algum momento.

O resultado disso, por conta da falta de confiança, é que a quantidade de encomendas despachadas nas unidades da estatal que não entraram em greve caiu 19% em relação ao normal, segundo um estudo do Bling, um negócio de tecnologia dedicado a sistemas de gestão para microempreendedores individuais.

A História dos Correios

A empresa Brasileira mais antiga do Brasil, teve início em 25 de janeiro de 1663, com a criação do Correio-Mor no Rio de Janeiro, embora a capital da colônia fosse então Salvador.

Em 1931, com a fusão Correios e a Repartição Geral dos Telégrafos, se cria o Departamento dos Correios e Telégrafos, o Correios como conhecemos hoje.

Em 2013, 2014, 2015, e 2016 o Correios declarou prejuízos gigantescos o que levou a privatização a ser cogitada. Com lucros em 2017, após medidas de contenção de despesas, a ideia foi abandonada temporariamente.

Qual é o futuro da logística dentro do e-commerce no Brasil

Grandes empresas de transporte de cargas fracionadas (encomendas) como Braspress, TNT Mercúrio, Rodonaves, Jamef, entre outras diversas estão investindo em sistema, pessoas, frota e gestão para tentar acompanhar esta evolução.

A Braspress investiu 105 milhões de reais na compra de 235 caminhões extrapesados e implementos rodoviários, que vão ser acrescentados à frota atual de 2.156 veículos comerciais, para atender as necessidades dos centros de distribuição de produtos.

Essas empresas estão constantemente se adaptando ao perfil do público brasileiro e a diversidades de um país de dimensões gigantescas.

O Brasil possui um território de 8.516.000 km² e essas empresas de transportes tem que entregar encomendas de uma ponta a outra do país.

Para se ter uma ideia dessa dimensão a distância de leste a oeste em linha reta alcança 4.328 km, enquanto de norte ao sul 4.320 km.

Da mesma forma que os grandes centros têm demandas de frete por conta do e-commerce o mesmo acontece em todos os cantos do Brasil.

Uma pessoa que está no Chuí, um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul, localizado no extremo sul do Brasil, também tem acesso a internet e faz compras como qualquer cidadão Brasileiro.

Da mesma forma a procura por transportadora em Macapá, um município brasileiro, capital do estado do Amapá, Região Norte do país, com população estimada em 2019 de 503.327 habitantes, também realizam compras no e-commerce.

O ponto mais distante ao norte do Brasil é o Oiapoque, município brasileiro no extremo norte do país, no estado do Amapá, na fronteira com a Guiana Francesa.

A distância entre o Chuí e o Oiapoque é de 5,648 km por estrada, e essas transportadoras precisam atender a todos esses municípios com menor tempo possível.

As novas plataformas de frete, que tem a missão de integrar transportadoras e o e-commerce, é a esperança de que os custos com transporte por transportadoras privadas sejam reduzidos, o prazo de entrega encurtado, para que a dependência do Correios seja eliminada.

Enquanto isso, os Correios, como todos os anos, seguem em greve no momento em que escrevo esse artigo (02/09/2020).

Nos dias 26 e 27 de agosto de 2020, houve reuniões no Tribunal Superior do Trabalho (TST) entre representantes dos trabalhadores e dos Correios, mas não houve acordo para a suspensão da paralisação.

De acordo com a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresa dos Correios e Similares, os grevistas são contra a privatização da estatal, reclamam do que chamam de “negligência com a saúde dos trabalhadores” na pandemia e pedem que direitos trabalhistas sejam garantidos.

Segundo Emerson Marinho, secretário da FENTECT (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares), a greve vai continuar, as mobilizações e os piquetes serão intensificados.

Diante do impasse o TST irá julgar a greve mais ainda não há data definida para o julgamento.

Conclusão

Então, que venha a tecnologia para que possamos comprar nossos produtos com a certeza de que os receberemos com um valor justo e um prazo curto.

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Até o próximo artigo.

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