STARTUPS TEM NO COMANDO 55% DE JOVENS ENTRE 20 E 23 ANOS

O cenário do empreendedorismo digital e da inovação se amplia cada vez mais no País. Levantamento da Associação Brasileira de Startups (AB Startups) aponta que hoje há em torno de 10 mil pequenas empresas do tipo em atividade no Brasil sendo que há cerca de  1.400 cadastradas na base de dados parceira da associação, o BizStart.

O que antes era uma febre por concursos públicos, como o exemplo de Kalebe Dionísio, recordista brasileiro em aprovação. Hoje os jovens já conseguem enxergar no empreendedorismo uma alternativa viável de carreira e liberdade financeira.

No comando desses empreendimentos, como não poderia deixar de ser, 55% são jovens entre 20 e 23 anos, que essencialmente têm formação em áreas como tecnologia, marketing ou administração.

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Mesmo que esse modelo atue hoje em condições de extrema incerteza devido à burocracia, alta carga tributária e até pela necessidade de educar melhor esses empreendedores para montar planos de negócio, o segmento atraiu US$ 850 milhões (R$ 1,7 bilhão) em investimentos em 2012, segundo a AB Startups.

Paolo Umberto Petrelli, diretor da entidade na região Centro-Oeste que também é um desses empreendedores, explica que a entrada de capital nessa indústria vem crescendo “absurdamente”. Em 2005, explica, a média anual de investimentos era de US$ 700 milhões. Desde então, esse montante vem aumentando em torno de US$ 300 milhões por ano. “É uma indústria que cria oportunidades e destaca o País no quesito inovação”, ressalta Petrelli.

Projeto – Além de se organizar em uma associação sem fins lucrativos criada no formato startup, dirigida por jovens criadores de empresas do tipo para atuar no desenvolvimento da cena no País e fomentar o empreendedorismo digital, esses empreendedores já se movimentam em outras esferas: tramita no Senado Federal o Projeto de Lei 321/2012, que isentaria de impostos empresas desse porte com receita bruta de até R$ 30 mil por trimestre.

Sob responsabilidade do senador Agripino Maia (DEM-RN), o projeto é de autoria dos estudantes da Universidade de Brasília (UnB), Lucas Bispo de Oliveira e Murilo Medeiros. No início de fevereiro, a AB Startups lançou uma petição online para recolher assinaturas para apoiar o projeto.

“É importante que o governo entenda que as startups precisam de atenção especial, pois na maioria das vezes trabalham com inovações que exigem dinheiro, agilidade e pouca burocracia”, afirma Gustavo Caetano, membro do conselho da AB Startups e CEO da Sambatech, empresa pioneira no conceito de logística digital que oferece soluções de vídeos online. “Com a aprovação dessa lei, o governo mostrará que aposta nessa nova modalidade de empresa como futuro do País”, acredita Caetano.

Aprendizado – Não só o cenário de incertezas pode atrasar o desenvolvimento de uma startup. Petrelli explica que é comum esses empreendedores se entusiasmarem para entrar na “onda” do mercado, achando que basta apenas conseguir dinheiro para financiar a ideia. Porém, que não dá para começar um negócio à espera de faturar milhões sem trilhar o caminho do aprendizado: o correto, diz ele, é buscar conhecimento para criar um projeto no menor tempo possível e com investimento menor, além do apoio de metodologias que ajudam a diminuir riscos e ensinam como validar sua ideia até encontrar um modelo de negócio ideal.

O professor Cláudio Vilar Furtado, diretor executivo do Centro de Private Equity e Venture Capital da Fundação Getúlio Vargas (GVCepe) explica que, apesar de a cultura startup estar chegando fortemente ao Brasil há muito trabalho à frente no que diz respeito a educar esses empreendedores. “Quando se fala em startups brasileiras, pode-se dividir em 50% que efetivamente têm conteúdo inovador, e 50% que não têm. E se hoje há 6% ou 7% de empresas do tipo com bom conteúdo tecnológico, apenas uns 2%  vão receber investimento de fundos de venture capital e outros”, diz.

“Há empreendedores de muita iniciativa, mas que não trazem verdadeiro diferencial para o mercado. A dificuldade é grande em encontrar os que possuam profunda visão de negócio para se enquadrar no panorama das startups. Muitas vezes, não se cria um negócio escalável para gerar um vetor de crescimento e se tornar uma supermarca, um produto de aceitação mundial, por falta de conhecimento”, afirma Furtado.

Engajamento – O principal problema que, além dos impactos tributários e burocráticos, faz com que 40% dessas empresas decretem falência antes de completar dois anos, segundo Petrelli, é desenvolver um produto que seria 100% funcional e inovador, e colocá-lo no ar sem conhecimento técnico para tentar validá-lo no mercado.

Para eliminar essa dificuldade, explica, o ideal é procurar incubadoras/aceleradoras de negócios ou participar de eventos específicos – como o Startup Weekend, realizado em fevereiro em Brasília, onde o empreendedor teve 54 horas para desenvolver uma ideia e descobrir in loco, junto ao público, se essas pessoas estão dispostas a utilizar –  e pagar – pelo seu produto.

“Há milhões em dinheiro entrando nessa indústria, mas há poucos empreendedores qualificados. É preciso mostrar que sua ideia é bem aceita no mercado”, afirma o dirigente da AB Startups.

Via Diário do Comércio